Doenças do trabalho: aprenda os principais conceitos

Tempo de leitura: 6 minutos

Nosso assunto desse mês são as doenças do trabalho. Esse tema inquietante e que tem acarretado muita preocupação ao RH em função dos afastamentos dos colaboradores, suas causas e consequências nas relações de trabalho.

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As doenças do trabalho é equiparada ao acidente de trabalho, como você pode ver a seguir:

Acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício da atividade a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou a redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.

Será concedido o benefício de auxílio-doença decorrente de acidente do trabalho ao segurado empregado (exceto o doméstico), trabalhador avulso e segurado especial.

Classificação das doenças do trabalho

Atualmente, as doenças do trabalho são classificados em três tipos:

a) acidente típico (tipo 1)

É aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa.

b) doença profissional ou do trabalho (tipo 2)

c) acidente de trajeto (tipo 3)

É aquele que ocorre no percurso do local de residência para o de trabalho, desse para aquele, ou de um para outro local de trabalho habitual, considerando a distância e o tempo de deslocamento compatíveis com o percurso do referido trajeto.

Definição das doenças do trabalho

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A doença profissional é aquela produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar à determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego e o da Previdência Social.  Como, por exemplo, o saturnismo (intoxicação provocada pelo chumbo) e Silicose (sílica livre).

Já as doenças do trabalho são aquelas adquiridas ou desencadeadas em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente (também constante da relação supracitada). Como, por exemplo, a disacusia (surdez) em trabalho realizado em local extremamente ruidoso.

Se o empregado for afastado por doença do trabalho ou profissional por mais de 15 dias terá direito a estabilidade no emprego por um ano após o retorno, além do direito ao depósito do FGTS durante todo o período de afastamento. O afastamento será pelo benefício de auxílio-doença acidentário (B91).

A empresa tem que evitar ao máximo as ocorrências de doenças relacionadas ao trabalho já que elas impactam de forma direta no FAP (Fator Acidentário de Prevenção), com aumento de carga tributária.

Conheça algumas doenças do trabalho consideradas pelo INSS

Relacionarei abaixo para você algumas doenças do trabalho consideradas pelo INSS e suas causas que poucas empresas, principalmente as pequenas e médias, sabem que são:

  • Dengue

Exposição ocupacional ao mosquito (Aedes Aegypti), transmissor do arbovírus da dengue, principalmente em atividades em zonas endêmicas, em trabalhos de saúde pública e em trabalhos de laboratórios de pesquisa, entre outros.

  • Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso do álcool: Alcoolismo Crônico (Relacionado com o Trabalho)

Problemas relacionados com o emprego e com o desemprego: Condições difíceis de trabalho e circunstância relativa às condições de trabalho.

  • Sensação de Estar Acabado (“Síndrome de Burn-Out”, “Síndrome do Esgotamento Profissional”)

Ritmo de trabalho penoso e outras dificuldades físicas e mentais relacionadas com o trabalho.

  • Infarto Agudo do Miocárdio

Exposição ao Monóxido de Carbono, Sulfeto de Carbono,  Nitroglicerina e outros ésteres do ácido nítrico e problemas relacionados com o emprego e com o desemprego.

5)        Dorsalgia

Posições forçadas e gestos repetitivos, ritmo de trabalho penoso e condições difíceis de trabalho.

20 doenças do trabalho mais comuns

A seguir, estão listadas as 20 doenças do trabalho mais comuns entre os executivos brasileiros conforme a pesquisa da empresa de planos de saúde Omnit no ano de 2014:

  1. Rinite                                                                                                                                          30,60%
  2. Alergias de pele                                                                                                                        20,62%
  3. Ansiedade                                                                                                                                18,66%
  4. Excesso de peso                                                                                                                       18,07%
  5. Dor de cabeça constante                                                                                                        17,74%
  6. Dores nos ombros ou no pescoço                                                                                        16,37%
  7. Problemas na visão                                                                                                                  15,19%
  8. Bronquite ou asma                                                                                                                  13,08%
  9. Insônia                                                                                                                                           10%
  10. Pressão alta                                                                                                                                 8,28%
  11. Dor nas mãos ou no braço                                                                                                        8,13%
  12. Dor nas costas crônica                                                                                                               7,76%
  13. Depressão                                                                                                                                   6,76%
  14. Tireoide                                                                                                                                              4%
  15. Gastrite crônica                                                                                                                           3,51%
  16. Diabetes                                                                                                                                       1,92%
  17. Úlcera                                                                                                                                            1,50%
  18. Problemas na audição                                                                                                                1,40%
  19. Artrite ou artrose                                                                                                                              1%
  20. Osteoporose                                                                                                                                 0,20%

Com o eSocial, as empresas deverão investir mais em segurança e medicina do trabalho além de se preocuparem mais com os afastamentos decorrentes dos riscos ergonômicos e psicossociais. Com isso, deverão se atentar à elaboração da AET (Análise Ergonômica do Trabalho).

Hoje as doenças e transtornos mentais estão em segundo lugar no ranking de afastamentos. E muitos desses afastamentos estão sendo considerados como B91, ou seja, como doenças do trabalho. Cabe a discussão do nexo causal, mas como as empresas não investem num exame mental no exame médico admissional fica mais ainda difícil a descaracterização do nexo.

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Portanto, a dica é que você invista muito num PCMSO (Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional) bem elaborado e efetivo em sua função. E também investir, inclusive, no máximo de exames complementares a serem definidos pelo médico coordenador.

A NR 7 estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores, estabelecendo os parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem observados na execução do PCMSO, podendo os mesmos ser ampliados mediante negociação coletiva de trabalho.

O PCMSO deve incluir, entre outros, a realização obrigatória dos exames médicos:

  1. a) admissional;
  2. b) periódico;
  3. c) de retorno ao trabalho;
  4. d) de mudança de função;
  5. e) demissional.

Com um PCMSO bem executado, presume-se que a empresa terá um controle efetivo da saúde do funcionário além na redução do absenteísmo motivado por doenças; na redução de acidentes potencialmente graves; na garantia de empregados mais adequados à função, com melhor desempenho, além das implicações legais.

Para os colaboradores, proporciona melhores condições de saúde para o desempenho da função, minimizando a chance de arbitrariedades em caso de doença ou acidente.

Portanto, a conclusão é que sem prevenção a ocorrência de doenças do trabalho ou ocupacionais pode surgir a qualquer momento principalmente nas atividades sujeitas a riscos. O empresário não pode encarar a medicina do trabalho como sendo um custo e sim em investimento! E o RH tem uma importância muito grande nessa conscientização!

rodrigoRodrigo Dolabela

Advogado e sócio da RFD Cursos e Treinamentos Ltda., escritório integrante da Unidade de Serviços Jurídicos do Sinduscon-MG. Especialista nas áreas trabalhista e previdenciária, segurança e saúde do trabalho, instrutor de cursos, palestras e treinamentos em todo o País, professor do Senai-MG, SESCOOP, AMIS, SESCON/MG e FIEMG. Professor convidado do curso de Pós-Graduação de “Gestão de Pessoas” da Faculdade de Tecnologia do SENAI (FATEC). Autor de vários artigos jurídicos, com destaque para o “A Inconveniência do Aviso Prévio Trabalhado na Rescisão Contratual”, considerado como jurisprudência selecionada do TST – Tribunal Superior do Trabalho.

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