Quer resultados diferentes? Então saia da zona de conforto!

Tempo de leitura: 9 minutos

 

Não, este não é um texto retirado de um livro de autoajuda. Este é um texto para refletirmos sobre seus resultados no dia a dia, sobre sua postura frente aos mesmos e como você deve reagir a zona de conforto.

É mais um texto que foi fruto de uma reflexão sobre os meus mais de 20 anos de experiência profissional como Empresário, Executivo, Consultor e Professor em cursos de MBA e programas de Treinamento. Dizem que depois dos 40 anos ficamos mais reflexivos e eu estou comprovando que isto é verdade. Meus textos passaram a ser assim, mais críticos e reflexivos…

Confesso que não tinha pensado em escrever sobre este tema, mas fui positivamente provocado por uma de minhas conexões no Linkedin, que ao ler um artigo meu sobre Desperdícios fez um comentário falando sobre nosso comodismo e dificuldade de sair da nossa zona de conforto, sugerindo que eu escrevesse algo sobre o assunto.

Então a partir da provocação eu saí da minha zona de conforto, refleti e escrevi com muito carinho este artigo que agora você lê. 

Mas o que é a tal zona de conforto?

Se vamos “falar” sobre a zona de conforto é importante que façamos uma definição do que é a tal “zona de conforto”. Posso definí-la como sendo um conjunto de pensamentos, comportamentos e ações que uma pessoa está acostumada a ter e que na visão dela (da pessoa) não a causa nenhum tipo de ameaça, medo ou risco.

A zona de conforto nos coloca em uma espécie de “piloto automático”, uma condição em que o cérebro comanda seus pensamentos, comportamentos e ações de forma automática, com um nível mínimo de esforço, sempre tendo como base o automatismo destes pensamentos, comportamentos e das ações.

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Um bom exemplo disto pode ser visto quando você está dirigindo seu carro, onde boa parte das ações são feitas de maneira automática, sem grande esforço do cérebro.

Esta forma “confortável” e automática de pensar e agir normalmente te leva a um desempenho teoricamente seguro, conhecido, esperado e repetitivo (para não dizer quase constante). Porém, muitas vezes, isto que se traduz em segurança e estabilidade, também irá se traduzir em limitação do resultado ou manutenção de resultados não tão bons assim ou nos níveis atuais.

Uma “rotina” na zona de conforto, no “piloto automático”…

Se pensar em seu dia a dia vai notar que, automaticamente, você faz uso de metodologias e/ou técnicas que dominamos, ou que acha que domina, porém este automatismo provavelmente levará aos resultados de sempre. Assim, é comum conviver com estes resultados mesmo que você esteja insatisfeito e reclamando deles.

Diante do atual contexto do mercado empresarial e do mercado de trabalho sabemos que mesmo bons resultados devem ser melhorados, e que nem você e nem as empresas podem se acomodar, não é mesmo?

Você precisa mudar, certo? E o quanto antes melhor!

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Eu gosto muito de uma frase atribuída a Albert Einstein, ela diz o seguinte: “Insanidade é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Assumindo esta frase como verdade, ocorre então que, para mudar os resultados, deve-se adotar novos comportamentos e aplicar novas metodologias e/ou técnicas, o que significa passar pelas 7 etapas do processo (resumido) que detalhamos para você sair da zona de conforto:

  1. Aprender as metodologias e/ou técnicas do ponto de vista conceitual;
  2. Identificar suas aplicações e implicações, aprendendo como a elas funcionam na prática, no dia a dia da empresa;
  3. Implantar as metodologias e/ou técnicas em um projeto piloto;
  4. Treinar as pessoas para trabalhar no novo contexto;
  5. Aprender com os erros do dia a dia;
  6. Documentar e padronizar o processo com o uso das metodologias e/ou técnicas
  7. Expandir o projeto piloto para ouras áreas, repetindo os passos 4 a 6.

Porém, passar pelo processo acima e aplicar novas metodologias e/ou técnicas trás duas consequências. São elas:

  • Aumenta a carga de trabalho no curto prazo, pois fazer isto tudo dá muito trabalho, não é mesmo? Só de pensar nos passos acima já dá para ficar cansado…
  • Aumenta também sua exposição ao erro. Dificilmente se consegue fazer melhorias sem ter “pequenos desvios” (erros) em relação ao resultado previsto.

Estas consequências acabam por vir de encontro a dois fortes motivos (ou melhor, desculpas) para não sair da sua zona de conforto, fazendo com que você queira cada vez mais ficar nela.

  • O primeiro motivo é que mudar dá trabalho (físico e mental) e como você já tem muito trabalho (muito mais físico do que mental) no dia a dia não se encontra tempo para mudar, assim nada muda e você continua em frente…
  • O segundo motivo é que normalmente surgem “problemas” (consequências negativas) com os erros que você comete. E quem não comente erros, não é mesmo?

Por exemplo, se a cultura da empresa (ou melhor, a cultura dos chefes) não aceita erros, as pessoas (você) não irão se arriscar com o uso de metodologias e/ou técnicas novas, pois além da consequência do erro no processo, ainda será preciso lidar com o chefe querendo “tratar” do problema.

Como geralmente queremos evitar estas duas consequências, acabamos não mudando nada e nos mantendo na zona de conforto. Não mudamos nosso comportamento, não fazemos “coisas” diferentes e nem as “coisas” de forma diferente, não nos arriscamos a errar e a trabalhar mais.

Não assumimos uma nova atitude frente ao trabalho e de uma forma mais ampla frente à nossa vida… deixamos o piloto automático nos guiar continuamente. Muitas vezes você não sabe como arriscar pode influenciar o sucesso da sua carreira.

E um aspecto interessante de tudo isto é que nos mantemos na zona de conforto sem nos dar conta disto, permanecemos ali de forma automática e inconsciente. O cérebro nos leva a realizar esta ação como uma autoproteção.

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Minha experiência mostra que para vencer este automatismo e assumir a consciência do processo de mudança, o primeiro passo, e que talvez seja o principal, é estabelecer metas e objetivos que nos levem a um estágio mais próximo de onde desejamos estar, mas isto será discutido mais a frente. 

O que encontraremos ao sair da zona de conforto?

A saída da zona de conforto te coloca na zona de aprendizagem, no lugar em que você deve absorver o conhecimento, desenvolver a capacidade de colocá-lo em prática e buscar a motivação para sair da inércia.

A partir disso, se considere apto para dar início ao processo de mudança de pensamento, comportamento e ações de tal forma que os resultados melhorem.

A zona de aprendizagem é uma etapa de transição que te prepara para entrar em uma nova “zona”, ou seja, “zona onde a MÁGICA acontece”.

Imagino que você esteja aí se perguntando: mas o que é esta MÁGICA?

Ela é na verdade um conjunto de ações e fatos que resumidas no quadro abaixo:

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Nesta “zona mágica” rompemos definitivamente nossas barreiras mentais, e principalmente comportamentais, nos preparando para atingir os resultados cada vez melhores e para encarar desafios cada vez maiores.

Não há atalhos entre a zona de conforto e a zona mágica. Para sairmos da zona de conforto e chegarmos à zona mágica, devemos passar pela zona de aprendizagem, uma etapa onde desenvolveremos as competências necessárias à transformação de nossos resultados.

É nesse momento que iremos adquirir novos conhecimentos e reciclar os antigos, vamos desenvolver a capacidade de colocar estes conhecimentos em prática e despertar a vontade de querer fazer as “coisas” acontecerem.

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Precisamos buscar a energia, a motivação, que vai nos tirar da inércia e do “piloto automático”. Mas lembre-se: a motivação nos faz começar, mas o hábito é que nos faz continuar…

Ao chegarmos na zona mágica precisamos estabelecer um novo hábito, temos que praticar a mudança e a aplicação das novas metodologias e/ou técnicas o tempo todo. Assim, esta nova prática de trabalho nos fará continuar o processo de melhoria e nos fará galgar um novo patamar de pensamentos, comportamentos e ações, obtendo resultados cada vez melhores e consistentes.

Espero que tenha gostado do artigo e que ele sirva de ponto inicial para uma reflexão sobre a necessidade de mudarmos nossos pensamentos, comportamentos e ações de modo a obtermos resultados diferentes.

Abraços,

José Ignácio Villela Jr

José Ignácio Villela Júnior – Engenheiro Mecânico e Mestre em Administração, com mais de 20 anos de experiência na gestão industrial, trabalhou como Plant Manager da ThyssenKrupp Molas em MG, onde inicialmente atuou como Gerente de Logística das unidades de MG e de SP. Atuou também como Consultor de implantação do sistema de gestão SAP-R/3 na Belgo Mineira Sistemas e como Coordenador de Planejamento de Materiais e de Produção na MAXION e na TECMISA onde iniciou as atividades como Engenheiro de Vendas.

Atualmente é Palestrante, Consultor e Diretor de Projetos da LGRW, onde há mais de 10 anos desenvolve e implementa projetos de Desenvolvimento de Profissionais através de Workshops (com aplicação de jogos e dinâmicas) e de projetos de Consultoria. Também atua como Diretor de Produto do IETEC onde tem a responsabilidade de desenvolver soluções educacionais diferenciadas nos níveis de MBA, Especialização e cursos de curta duração.

Há mais de 18 anos vem conduzindo e contribuindo ativamente na formação de mais de 8.000 profissionais em todos os níveis hierárquicos das empresas, atuando como Palestrante, Consultor, Coordenador Técnico e Professor em mais de 150 turmas de cursos de Pós graduação/MBA e mais de 300 turmas de cursos de curta duração.

 

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